Há quem diga que uma imagem vale mais do que mil palavras. E, curiosamente, pedem a alguém que vive da imagem… que escreva.
Aceitei o desafio porque, no fundo, a imagem também se constrói com palavras. Ou porque, antes de ser vista, ela tem de ser pensada. Sentida.
Falar da imagem dos territórios é falar de equilíbrio entre o que fomos, o que somos… e o que queremos vir a ser.
E se a tradição já não é o que era, também não pode deixar de o ser. Transforma-se. Adapta-se. Regressa com novas leituras. Mas continua lá. Sempre!
A inovação, essa, não pede licença. Instala-se. Cresce. Impulsiona. E ainda bem. Porque é ela que permite que os territórios não se fechem sobre si próprios. Que
comuniquem. Que se reinventem. Que continuem vivos.
E depois há o mais difícil de explicar: o sentimento de pertença. Esse não se desenha.
Não se projeta. Não se impõe. Sente-se!
Quando uma comunidade se reconhece na sua imagem, acontece algo raro. Participa. Cuida. Defende. E isso não se desenha, constrói-se.
É desenvolvimento, sim. Mas é também respeito. Pelas pessoas. Pelos saberes. Pelo tempo. Porque um território não é só um lugar. É memória e identidade. É ligação. No fim, talvez seja verdade: uma boa imagem vale mais do que mil palavras. Mas só quando carrega, dentro dela todas essas palavras que nunca chegaram a ser ditas.
Por Joana Lontrão
Diretora Criativa da HBR Comunicação