O Montijo quer ganhar asas?

Escrevo este artigo no pressuposto de que, no final do dia, o aeroporto do Montijo será uma realidade. Neste momento existem as incertezas próprias da guerra política e do confronto de visões para o país e para a região, mas acredito que a solução proposta pelo Governo será concretizada, e é nessa base que entendo fazer sentido a seguinte reflexão.

Um aeroporto é cada vez mais um elo de ligação entre uma região e o resto do mundo. Mais: é um poderoso motor económico, social e até cultural. Convém lembrar que as ligações aéreas por intermédio dos principais aeroportos do nosso país são um fator de sucesso indesmentível nas respetivas regiões, de que a região Norte e as ilhas, não esquecendo o Algarve, são exemplos paradigmáticos.

Peça-chave deste cenário é que, desde a liberalização do espaço aéreo europeu, e com a chegada das companhias low-cost, verificou-se em Portugal, e em especial nas regiões servidas por aeroportos adequados e preparados, um aumento exponencial a nível turístico e, em consequência, a nível económico e comercial.

Ao mesmo tempo, um aeroporto é útil e eficiente na exata medida da sua inserção no meio que o rodeia. A criação destas condições de êxito depende em boa medida da visão que sejam capazes de ter os municípios de implantação do aeroporto. O poder local tem de compreender que esta infraestrutura não é apenas essencial para o bem-estar social de toda uma região – desde logo (mas não só) com a geração de mais emprego. É também uma ferramenta para aumentar a produtividade das empresas, recuperar zonas degradadas, animar a economia do território e criar mais oportunidades de negócio.

Significa isto que um governante, um autarca – um gestor público, em suma – moderno percebe em cada momento que um aeroporto na sua região pode transformar positivamente toda a região onde está instalado. Mas igualmente percebe que para isso acontecer o aeroporto tem de ser considerado como parte integrante do desenvolvimento do território – e que este, pelo seu lado, tem de estar também preparado para a oportunidade que representa a nova infraestrutura.

Numa ótica de promoção do Montijo, estou seguro de que o novo aeroporto pode ser o ponto de partida para uma evolução na imagem, na identidade e na atratividade do município. Isto é, pode ser a base para se criar uma marca forte para o Montijo, marca essa que permitirá fortalecer a imagem e a identidade da região, de modo a fazermos do concelho um destino preferencial para visitantes mas igualmente para investidores.

No último artigo defendi que o Montijo, com o aeroporto, deve querer ser não uma escala, mas sim um destino. Hoje acrescentaria: não uma escala, mas uma escola.

Uma escola – isto é, uma lição exemplar de como usar uma infraestrutura para elaborar e concretizar uma estratégia coerente de marketing territorial que faça de um concelho com vantagens mas também com problemas um caso de transformação e sucesso. Porque o Montijo, com o novo aeroporto e uma visão alargada para a promoção e desenvolvimento da região, tem tudo para ganhar asas.

Hugo Oliveira Ribeiro é Diretor Geral do HBR Group

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